Não há receitas para uma carreira de sucesso

     Viver em busca de receitas de sucesso para traçar rumos na carreira profissional não é uma boa escolha para quem quer se dar bem no mercado de trabalho. Fazer escolhas baseadas no imediatismo da atualidade também é uma atitude pouco sábia.

     “Dar a solução para o sucesso é uma abordagem paternalista”, acredita o consultor na área de treinamento de executivos, Oscar Motomura. Entretanto, o guru do mundo dos negócios, busca em suas palestras, oferecidas a grandes companhias - por meio do programa de gestão avançada da empresa Amana-Kei, dirigida por ele -, fazer com que os profissionais reflitam alguns aspectos na construção de uma carreira.

     Para Motomura, cada profissional deve criar seu próprio currículo ao longo da vida, pois considera que uma universidade só oferece 30% do que é preciso. “Os outros 70% é o profissional quem deve correr atrás,” completa. E, as competências adquiridas ao longo dos anos, devem ser sempre exercitadas. “É fazer curso de inglês não só para constar no currículo, mas sim praticar constantemente”, exemplifica. “A competência durável gera capacidade de transformação”.

     Para o presidente da Gutemberg Consultores, empresa especializada na gestão de capital intelectual, Gutemberg de Macedo, o profissional deve identificar sua paixão, aquilo que o fará acordar todas as manhãs e sair feliz para trabalhar. “Uma carreira é muito mais do que ter graduação ou experiência internacional. É preciso adquirir três tipos de conhecimentos: o auto-conhecimento, ou seja, saber de sua filosofia e projeto de vida, ter domínio e conhecimento dos humanos e conhecer como as organizações operam”.

     Macedo cita uma pesquisa internacional onde se revela que 87% das pessoas não têm objetivo de vida, 10% têm pensado nisso e, apenas 3% têm definido seu objetivo. “Não se deve fazer o que algum livro lido sugere. Sucesso é o alto grau de satisfação que se encontra no trabalho. Se for varredor de rua, professor ou presidente de uma empresa, seja o melhor”.

     E, independente da profissão que se siga, o profissional não deve se diminuir perante aos outros, defende Motomura. “Office-boy deve-se pôr de igual para igual com o presidente da empresa. Além disso, assumir riscos e ousar, dizer o que pensa a quem for. Isso tudo pode fazer a diferença em qualquer carreira, inclusive,” acha. “Não se expor talvez seja a principal barreira no crescimento profissional de uma pessoa”, alerta.

     Segundo Motomura, uma vez na empresa, o bom líder deve ter em si as seguintes características: capacidade de criar o inédito, de agir, de perceber sutilezas, de pensar sistemicamente, de fazer acontecer, de integrar, pensar no futuro, lidar com incertezas, mas com grande segurança e não ter medo de desafiar padrões já existentes. “Gerir aspectos técnicos é muito fácil. É preciso que os líderes adquiram também a capacidade de lidar com os humanos, com maneiras difíceis de relacionar-se”, acredita. Motomura lembra também que se destacam os profissionais que correm atrás de conhecimento ao invés de estagnar somente no que a empresa em que trabalham oferece.

     Macedo lembra que empreender uma carreira, nos dias de hoje, é muito complicado. “O mundo das organizações mudou muito e, além de tudo, temos uma concorrência internacional intensa e implacável. Dessa maneira, o profissional deve estudar sempre, de modo a adquirir novas habilidades, além de trabalhar duro, mas com sabedoria, ter foco e não perder tempo”.

     Porém trabalhar muito não significa cometer equívocos. “Trago para minha vida um exemplo muito próximo a mim. Um de meus irmãos abdicou sua vida ao trabalho e se esquecia das demais coisas. O dia em que parou para descansar viu-se doente e logo veio a falecer”, conta. “Só é bem sucedido o indivíduo que viveu bem sem esquecer de sua família, sorriu e amou, educou bem seus filhos e deixou um legado para a sociedade”, acredita.

     E é possível traçar uma carreira de modo a balancear lado profissional e pessoal. “É só ter consciência de que o crescimento depende de um círculo que inclui o profissional, a empresa em que trabalha ou é dono, os colaboradores, família e comunidade”, defende Macedo. “Trabalhar é uma honra, mas não dá para encarar os outros pontos, em destaque a família, como não sendo parte disso. Se uma pessoa chega ao fim da vida e de sua carreira sozinha, sinto informar que não foi bem sucedida”, diz.

     Ter uma carreira bem sucedida para quê? Segundo Motomura a resposta deve ser “para contribuir com um futuro melhor e ético”. “É não ser selecionado pelas empresas, mas sim selecionar as empresas em que se quer trabalhar. É não entrar em jogos, a não ser se for vigente e sadio para a sociedade”, defende. “Carreira bem sucedida significa preservar a dignidade para aumentar a auto-estima de cada profissional”, completa.

Por Karina Costa

 
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