Profissionais criam táticas contra inibição

     Depois de alguns "feedbacks" negativos de seus chefes, Claudia Generoso, 25, coordenadora de recursos humanos da BPI do Brasil, decidiu pedir ajuda para mudar. "Perdia oportunidades de desenvolver um trabalho melhor e com mais resultado devido à timidez. Atuava na área comercial e as minhas vendas estavam baixas."

     Com medo de perder o emprego, solicitou auxílio a chefe, pedindo a ela que lhe passasse dicas para melhorar seu desempenho. "Foi muito difícil. Não é fácil ir trabalhar todos os dias sabendo que você vai ser observada o dia inteiro por toda a equipe, para avaliar se continua tímida."

     A profissional conta que, depois da mudança, passou a se expor e a ser reconhecida por suas idéias. A ascensão pode ser vista nas funções que executou em três anos: passou do estágio aos cargos de trainee, consultor júnior, pleno e sênior e, hoje, é coordenadora.

     Para a professora de psicologia da PUC-SP Liliana Liviano Wahba, a chave para combater a timidez é o autoconhecimento. Outra dica é nunca começar a argumentação pelo lado negativo. "Em vez de falar "na hora da reunião, isso não me ocorreu", é melhor dizer "depois de conversarmos, pensei sobre o tema e tenho outras idéias para apresentar"."

     Para escapar da timidez, a estratégia da graduada em comércio exterior Andréia Mariano, 29, foi outra. Depois de passar cerca de três anos com medo de falar com seus colegas, aceitou uma proposta para mudar de empresa e área. Foi de coordenadora de importação a analista financeira.

     A chance de "começar de novo" parecia a melhor alternativa. "Não conseguia me impor. Minha voz não saía nas reuniões. E, quando saía, era baixinha ou "mole", como a de uma criança", diz. Andréia diz ter sido prejudicada pela timidez em todos os sentidos. "Vi um colega, a quem eu ensinava, crescer na empresa graças a mim. Ou seja, eu ensinava e o outro era reconhecido", lamenta.

     No novo emprego, para evitar que a história se repetisse, adotou outra atitude: é firme, fala mais alto e, quando não opina imediatamente sobre o que acha que está errado, anota a idéia e depois a discute com um de seus colegas. "Ainda me falta autoconfiança. Mas estou fazendo o possível."

Fonte : Folha de S. Paulo – 19/03/06

 
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